A lua. As faíscas. O brilho. O sangue.
. "Que será à essa hora da noite?"-penso.
A lua, pálida e lúcida, iluminava os contornos de madeira da minha janela. Levanto, num impulso, e corro para ver. Ver o quê?
Abro a porta da varanda e desvio das venezianas. Sim, ali estava a pertubação. A pertubação das minhas noites sem sonhos, só com pesadelos,lindos e trágicos.
A pertubação era linda, era de rosto angelical e face plena. Os olhos grandes, expressivos,escuros. Pareciam puxar-me, como um buraco negro, faminto. Puxar as estrelas, os planetas, os satélites, minhas constelações... Para quê, se já havia entregado-as há tempos?
O rosto, pálido como a lua, não encarava-me: dava-me o prestígio de olhá-lo.
Ele levou o indicador aos lábios, como se pedisse silêncio, uma proposta de segredo.
Num gesto ágil, girou-me para seus braços e colocou-me no parapeito da varanda,sentando-se ao meu lado.
Senti o calor que vinha do seu corpo, o cheiro de perfume, como mirra. E senti seus lábios, num movimento delicado, escostarem nos meus mais uma vez.
De repente, tudo pareceu revirar-se do avesso, o certo e errado, como uma blusa. Senti o ar por trás da minha nuca, o vendo emaranhando os cabelos, como numa rajada avassaladora de ar!
E caí mais uma vez, da minha cama.
Alguém apague as luzes, por favor.
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