sábado, 2 de abril de 2011

Obsessões. Acho que todo mundo já teve uma, ao menos. Se não teve, por favor, deixe de ser tão robótico e vá morrer de ciúmes e perseguir alguém, por favor. Enfim, as obsessões são características marcantes da personalidade humana. Você sempre vai ter, ou ao menos se deparar com alguém que não consegue ficar um dia sem usar a internet, para jogar Cityville no Facebook, postar alguma coisa no Twitter. Tem gente que limpa tudo, até ficar com a casa limpa ( Nota: sempre quis que, quando a tal pessoa acabasse a limpeza, alguém passasse, escorregasse, e tivesse seu pescoço partido no meio. Aí, de obsessiva, passaria a ser uma serial killer). Eu tenho muitas obsessões. Uma delas é escrever as coisas que eu penso, em uma hora, com todo o meu furor/amor. Se valer a pena, eu guardo no fundo da minha mochila. Se não, rasgo ali mesmo. O bom de ter uma obsessão é que você pode - ou não - assustar as pessoas com a sua obsessão. A parte ruim é que, em certas obsessões, as consequências são fortes.
Por exemplo, você é obcecado por alguém que você é apaixonado. Se você não tiver vergonha nenhuma, certamente vai correr atrás, mesmo. Perseguir redes sociais, puxar assunto e deixar no ar é a primeira fase. Depois, você vai lembrar dele em cada coisa boa que você faz, ou cada lembrança prazerosa, ou qualquer fantasia que a sua imaginação permitir. Você vai se dedicar aos atos mais românticos, de poesias, a escrever nomes em vidros embaçados por um ambiente úmido, frio e acolhedor, que pede um abraço quente. As fases, se você já foi um obsessivo, não variam muito daí. O que mudam é só o endereço, e o processo. Mas se você já foi um obcecado, e está aí, rindo da minha obsessão, com certeza já saiu dessa. Com o tempo, o desinteresse aparece, e você se ocupa com algo mais produtivo. Tipo estudar, trabalhar, ler. Qualquer coisa, mas você está curado, completamente são, de uma obsessão maluca que você achava que nunca iria passar.
Nas minhas primeiras obsessões, foi justamente assim.
Essa é a parte que você fecha, assustado, a janela do blog, e denuncia esse troço.
Eu sempre soube que tinha algo errado comigo, mas eu nunca liguei. Acho que, além de obsessiva, sou retardada. Acho que eu pensava que era até legal, ser um pouco idiota, uma boba por alguém.  Acho que eu me sentia especial. E por muito tempo, funcionou bem assim, platonicamente. Era bom, era satisfatório. Eu tinha as minhas fantasias, a minha imaginação ampla, a minha outra obsessão, a por escrever, e uma timidez, que me levaria a nunca contar a minha "obsessão" para a pessoa. E se contasse, creio que não chegaria a dizer as palavras "obsessão", "amor" e "você" na mesma frase. Ninguém me parava, por aí. Eu estava bem.
Mas quando você tem muitas reincidências, fatos sem ligação viram um padrão. E de padrões, você vira das duas uma: sociopata ou doente. Não entendo muito de psicologia, mas isso eu sei. Já não é bom ser um obsessivo, ser rotulado publicamente é ruína. E aí, você vê a sua vida desandar. Você não está tão equilibrado, como nas antigas paixões obsessivas; perder o sono é o de menos. Tentar fugir, se tornar evasivo, ou agressivo, são esperados. Às vezes,queria ter um psicólogo à minha espreita, analisando o que eu faço, me orientando, falando o porquê do que eu estou fazendo. Me pouparia da primeira obsessão. Mas pensando bem, sem a primeira, eu estaria perdida, só, sozinha com a segunda obsessão, a reincidente, e mais violenta. A insanidade não para por aí. Você vai sofrer, desgraçado, e não é pouco. Prepare-se para uma dor que só se pode assemelhar a alguém pegando um martelo e enfiando no meio da sua cara. Não, isso é muito rápido. A dor de uma paixão obsessiva é prolongada, longa, dura o quanto você se encontra preso nela. Enfim, é uma dor infindável, assim como os intempérios por ela proporcionados, e aos quais você está exposto. Prepare-se para não se reconhecer, para sonhar demais, voar, subir para qualquer lugar, perto do sol. Prepare-se para desejar nunca ter nascido, não ter existido. Ser matéria pequena, corpo insignificante, partícula qualquer. Desejos são desejos, não realidade. E aí, você vai pensar - se for um "reincidente, como eu - que vai passar logo. O problema é que os padrões não se apagam, e se apagam deixam umas feridas, às vezes sangrentas, às vezes só abertas, mas que ainda arranham a pele. E a obsessão não passa, como você queria. E você passa os dias, esperando que ela dissipe, e que tudo volte ao normal, quando você não se preocupava com alguém, e quando tudo era inocente e puro, que você não tinha tantas consequências pra entender e pagar por isso. Mas não passa, não dissipa, não some. Na verdade, fica por muito tempo. E você provavelmente não vai dar fim a isso, de imediato. Você tem um medo, meio estúpido, de ficar sem essa obsessão. No fim, você é feliz, com seu preço. Mas é feliz, e na obsessão você encontra felicidade.
Esse é um caso de obsessão amorosa platônica. Platônico, sempre é melhor. Era a ocasião que eu me encontrava, e era confortável. Todavia, o confortável não é o normal na minha vida, e quando a verdade está na sua cara, você não pode escapar: sua obsessão te ama. E aí, é atear fogo à madeira regada na gasolina; uma coisa leva a outra. Na hora, só vai saber uma coisa: como eu pude ficar no anonimato por tanto tempo ? Pensamento inicial, porque depois, se você vivesse a minha vidinha, vai querer nada mais, nada menos, do que esquecer que amou obsessivamente. Não que você tenha se cansado, é que você saiu da sua zona de conforto, e foi para uma semelhante à um campo de batalha: verdade nua  e crua. Há algo que dói mais do que os fatos ? Você, saindo da platonidade (que palavra bonita.), vai pra maldita área de perigo, onde você deve tomar uma decisão. Dizer algo, você deve explicações. É obrigação, necessário. E, como eu já disse, você tá feliz. Tá satisfeito, e querendo mais, ao mesmo tempo.
Quando você espera algo bom. E se decepciona. Aí, você se arrepende, de ter deixado a oportunidade de rejeitar a obsessão, dizer: "eu não te amo". Mas aí, engata  na lingua, e você engole frase tão profana. Depois você se arrepende, mas tudo bem. Não dá pra ficar pior que isso, mesmo. Certo ? Errado. Aí, vem a parte que você não queria que acontecesse: sentir-se ignorado. Sentir a dúvida, de novo. O medo, aterrador, e provável na sua cabeça, de ser esquecido, e enfiado, contra a sua vontade dessa vez, no anonimato para a pessoa. Vivo, mas morto. E esse é o momento estranho, mas explicável, que você sente ódio de si mesmo por ter começado essa maldita obsessão que se tornou algo bem mais plausível.

Nenhum comentário:

Postar um comentário