domingo, 29 de maio de 2011

às vezes, dá vontade de me comportar como uma completa babaca. Fechar a mente, deixar tudo o que eu penso neste exato momento sair deliberadamente. Penso demais, faço pouco. É fácil ameaçar, nesta idade e nesta situação que eu estou, e não fazer nada. Ameaças ao vento, torço para que cheguem nos seus ouvidos. Quero intimidar-te, maltratar-te, acabar contigo. Quero despertar o monstro que existe em mim; dentro de cada um de nós existe um quarto escuro, sangue no carpete, um assassino bruto e cruel, que não hesita em matar por pura vingança. Está decidido!, quero ser esse assassino, quero ouvir os gritos desesperados das vítimas, pedindo, chorando, indefesas, sob o gume da minha faca, seus rostos refletidos nela, os olhos desesperados e agitados, correndo da faca para o chão, sem olhar para o meu rosto, puro terror. E eu sorrindo, beirando o débil e o louco, sem expressões, sem lágrimas, pela última vez na vida, só para te submeter - pela única vez - à minha vontade, ao destino que estou te impondo. Que sofra, eu não me importo. Melhor, importo tanto, que terei o cuidado de exumar o teu corpo, com mirra e panos brancos. Eu terei esse respeito com esse corpo, mesmo frio e sem vida, mas com tanto mais calor do que teria comigo se vivo!
O que um traído não fantasia, nessas tardes vazias de domingo ?

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